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Dicas

Áreas Exclusivas para Feno

Envolve a utilização de áreas mecanizáveis, cultivadas com espécies forrageiras melhoradas de elevado rendimento e alto valor nutritivo, e que possuam características favoráveis à fenação (facilidade e tolerância a cortes mecânicos freqüentes; caules finos e elevada proporção de folha em relação aos caules, para facilitar a secagem). Exemplos: Cynodon dactilon (Coast-cross, Tifton 68 e 85, Florico e Forakirk), Cynodon nlemfluensis (Estrela-africana, Florona), Cloris gayana (capim Rhodes), Medicago sativa (alfafa), etc.

A área a ser cultivada deve ser plana ou com declividade favorável à mecanização, bem drenada e com solo fértil e profundo, principalmente para o cultivo de alfafa.

O tamanho do campo depende da necessidade de feno para o rebanho ou para comercialização e da produtividade de feno por área. O número de cortes por ano, em geral, varia de três a quatro em áreas não irrigadas e de quatro a oito, com o uso de irrigação. Em cada corte, a produção de feno esperada varia de 2 a 4 t/ha. Eventuais perdas totais de feno por corte ou por problemas de chuva devem ser consideradas.

Para o estabelecimento, manejo e utilização da forrageira para a produção de feno, uma série de práticas agrícolas devem ser adotadas, destacando-se:


Preparo o solo

Deve incluir, além da aração e da gradagem, a remoção de obstáculos (tocos, raízes, pedaços de madeiras, cupinzeiros, pedras etc.) que possam danificar ou dificultar o funcionamento dos equipamentos para fenação, e a uniformização do terreno (o uso de grade niveladora é indicado).

Um bom preparo do solo é importante, por favorecer a incorporação de corretivos e fertilizantes, a semeadura, a germinação, a brotação uniforme das mudas, o desenvolvimento de um sistema radicular vigoroso e a maior retenção da água de chuva, resultando em maior produção de forragem.


Calagem e Adubação

Feitas por ocasião do plantio, deverão ser baseadas nos resultados de análise do solo. A calagem e a adubação fosfatada, na maioria dos solos brasileiros, são práticas recomendadas.

Com referência à adubação de plantio, a Embrapa Gado de Leite recomenda apenas a utilização do fósforo, uma vez que o nitrogênio e o potássio, utilizados durante esta fase, podem ser supridos pela matéria orgânica que será mineralizada, disponibilizando esses nutrientes para o crescimento inicial das plantas. A recomendação da adubação fosfatada de plantio prende-se ao fato de ser o fósforo o nutriente mais importante durante as fases de germinação e estabelecimento da forrageira. A Embrapa Gado de Leite não tem recomendado a aplicação de nitrogênio e de potássio por ocasião do plantio, a não ser que os resultados de análise de solo indiquem uma deficiência pronunciada de matéria orgânica e de potássio na solução do solo.

Resultados de pesquisa conduzidos pela Embrapa Gado de Leite com capim-elefante cultivar Napier mostram que a quantidade de fósforo a ser aplicada por ocasião do plantio varia de 100 a 120 kg/ha de P2O5, correspondentes a 500 a 600 kg/ha de superfosfato simples, ou 222 a 267 kg/ha de superfosfato triplo. Esta sugestão também poderá ser recomendada para os gêneros Cynodon e Panicum. Para os gêneros Brachiaria e Setaria, e as quantidades poderão ser reduzidas, dependendo dos resultados de análise do solo.

Em regiões de comprovada deficiência de micronutrientes, há necessidade de que estes sejam aplicados por ocasião do plantio. Assim, recomenda-se a mesma adubação de micronutrientes recomendada para a cultura do milho nestas regiões, em geral, 30 a 50 kg/ha de FTE – BR12.


Plantio e Tratos Culturais

Os métodos de plantio são aqueles apropriados para cada espécie forrageira, ou seja, para espécies que se multiplicam por semente, como é o caso do capim de Rhodes, Panicum maximum, da alfafa etc.; ou por mudas, como é o caso do Coast-cross, do estrela etc. Tanto no plantio de espécies que se multiplicam por mudas como no de espécies que se multiplicam por sementes, há necessidade de que o solo esteja bem preparado.

É necessário manter rigoroso controle das plantas daninhas, quer seja por capina, roçada, arranquio ou aplicação de herbicidas para não prejudicar o estabelecimento da forrageira e contaminar o feno com material indesejável, reduzindo sua qualidade.


Adubação de Manutenção

A necessidade de adubação de manutenção está associada à elevada remoção de nutrientes do solo. Para efeito de cálculos, pode-se considerar uma remoção média de: 16 kg de N, 5 kg de P2O5 e 20 kg de K2O, para cada tonelada de feno produzido.

Para a reposição dos nutrientes, recomenda-se aplicar P de uma única vez no início do período chuvoso, enquanto as adubações com o N e K deverão ser fracionadas e aplicadas após cada corte, durante o período chuvoso. Em áreas de produção de feno sob irrigação, este fracionamento deverá ser realizado durante todo o ano. A distribuição da adubação de manutenção deverá ser feita uniformemente sobre toda a área, usando-se adubadeiras de tração motorizada ou adubação manual. Os micronutrientes podem ser aplicados em dose única, juntamente com o P, no caso de solos reconhecidamente deficientes.

Para monitorar a fertilidade natural do solo, é recomendável que seja feita anualmente a amostragem do solo para fins de análise, visando à recomendação racional da adubação e calagem.

Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária - Embrapa

Autor(es): José Ladeira da Costa ; Humberto Resende

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